FALTA DE BOM SENSO …………………………………………………………………………

“Tente colocar bom senso na cabeça de um tolo e ele dirá que é tolice” (Eurípedes) – Se o mundo tivesse mais bom senso viveríamos melhor.
A falta do bom senso me irrita.
A pessoa que não tem bom senso e não sabe que não o tem me enerva ainda mais.
Dizem que o bom senso é relativo. Que é algo conceitual de cada um. Mas não é.
Bom senso é a máxima de um relacionamento amigável e saudável em sociedade.
Diria que deveria ser um princípio fundamental do homem, assim como o direito à vida, à saúde, à habitação.
Bom senso deveria ser um direito e um dever de todos.

 

Pensem um pouco em seu cotidiano e o quanto as pessoas são capazes de te irritar por falta de bom senso no decorrer das 24 horas do dia.

O ponto de ônibus é um caso clássico. Quem nunca ficou esperando um ônibus por mais de 1 hora com uma senhorinha ao seu lado portando aquela bolsa gigante que mais parecia com uma sacola de feira e ficou imaginando o que possivelmente ela estaria carregando naquele espaço que caberia uma caixa de laranjas ou 5 pés de alface ou 3 abacaxis. Pois é. Só que no momento em que o ônibus chega apesar da idade e da bolsa tamanho XXL aquele ser de 1,50m e 42 kg que você imagina ser uma Sra. indefesa e sem forças até para se locomover, se transforma subitamente na Lara Croft (daquele filme Tomb Raider), ela te empurra, esbarra em você com aquela arma que ela carinhosamente apelidou de bolsa e corre para ser a primeira a entrar. Até aí tudo bem. Damos um desconto e respeitamos as dezenas de velinhas que ela assopra todos os anos. No entanto, após engolir a seco o empurrão e a sacolada da senhorinha, o problema não para aí. Estamos todos enfileirados para subir no ônibus, com aquela imensidão de pessoas que estão aguardando há mais de 1 hora, todos cansados, tensos, e de repente o que acontece? A fila para de andar. Olho lá para perto da catraca curioso para saber o que está acontecendo, o que está impedindo as pessoas de entrarem, afinal quis checar se o ônibus tinha lotado rápido assim, mas para minha surpresa ou não, avisto apenas aqueles cabelos branquinhos e a sacola de feira em cima da mesa do cobrador. Fiquei imaginando o que ela poderia estar fazendo. Depois de uns 2 minutos que mais pareceram 20 horas, constato que ela estava procurando o seu porta-níquel com toda a calma possível, ao contrário da pressa que teve para ser a primeira a entrar no ônibus. Nesse momento me irritei. Pensei: – que falta de bom senso!!! Ficou ao meu lado 1 hora aguardando o ônibus e nem sequer separou as moedinhas para pagar? Isso é o cúmulo da falta de bom senso.

Outra situação que geralmente é rodeada por pessoas sem bom senso são os supermercados. A começar no estacionamento. Chego com meu carro para fazer compras. A garagem está lotada. Carros e mais carros atrás de mim. Avisto um vaga. Dou seta indicando que vou parar meu automóvel naquele lugar. A Dna. de casa que foi com os seus 4 filhos fazer compras me vê, mas ela parecia fingir que não via os 10 veículos que aguardavam ela desocupar o local. Vagarosamente ela acomoda as compras no porta-malas, abre a porta para os pimpolhos, um com um pacote de salgadinhos nas mãos, outro com uma lata de refrigerante, os outros brigando por alguma revista. Ufa!!! Após alguns minutos, todos dentro do carro e portas fechadas. Pensei: – Agora vai!!! Mas, infelizmente não tenho tanta sorte assim. A mãe dos anjinhos ainda se dá o luxo de alocar sua bolsa no banco do passageiro, dar bronca nos meninos que começam a chorar, colocar o sinto de segurança, ligar a luz interna do carro, puxar o retrovisor e conferir se sua maquiagem está no lugar (para aquela mulher melhorar, só passando uma concentração muito grande de ácido retinóico para remodelar aquela fartura de beleza). Depois de passado tudo isso, ela resolve finalmente ligar o possante, dar ré e quase bate no meu carro. Enfim, uma parcela muito grande das pessoas parece dar com os ombros perante a vida do demais. É impressionante como o ser humano vive em função da vida alheia, seja para ficar por dentro de uma fofoca, seja para prejudicá-lo, para tentar ser melhor que um, ter mais que o outro e etc. Ninguém é capaz de se ajudar e trabalhar para tentar facilitar a sua própria vida e as dos demais. Pura burrice, pois se em todos os setores da vida, quanto mais rápido a pessoa da sua frente caminhar e evoluir, mais rápida estará aberta uma vaga para você. Uma questão de ignorância e por conseqüência falta de respeito, educação e bom senso.

Outra questão fantástica quando se fala de bom senso, é o que acontece nos restaurantes. Sábado ensolarado. Acordo pensando naquela feijuca. Reunimos os amigos e vamos para o restaurante na nossa mesa cativa de número 7. O grande problema que invade os nossos almoços e restaurantes é o fato de que as pessoas das mesas ao lado nunca são as mesmas. E, pelo fato de nunca serem as mesmas, nem todos são educados e, por conseguinte, nem todas são providas de bom senso. Houve uma vez, que fomos premiados. Do nosso lado esquerdo estava uma mesa com um grupo de umas 10 pessoas, que riam e falavam, ou melhor, gritavam, berravam e quanto mais a caipirinha fazia efeito os decibéis da gritaria aumentavam progressivamente. Parecia mais uma feira livre do que um ambiente de restaurante. Na mesa da frente, estavam sentados uma família da terceira idade. Pela conversa, tive a impressão de que era o tio de uns 84 anos bem trajado, com paletó de lã (lá fora estava uns 32 graus) a sobrinha dele que deveria ter uns 67 anos e o marido dela com uns 70 anos. Bom, idade não é problema. Achei até muito interessante e bonito o casal levar o tio para almoçar e fazê-lo perder a dentadura na primeira mordida no torresminho. Contudo, o caos se instalou mesmo quando percebi que aquele senhor bem asseado, tinha problema de audição e a sobrinha precisava gritar para ele entender. Dificuldade de audição? Normal para o um Sr. daquela idade. Bem compreensível. No entanto, de igual forma percebi que a sobrinha dele de tanto ter que gritar para que ele escutasse, se acostumou com aquela rotina e não era mais capaz de falar num timbre de voz normal. Para chamar o garçom gritava, para falar com o tio berrava e para falar com o marido soltava um urro. E, como não poderia deixar de ser, para fechar com estilo e elegância, do nosso lado direito estava um casal com dois filhos de aproximadamente 5 e 6 anos. A impressão que dava era que o casal tinha ido almoçar para se livrar um pouco dos filhos. Eles conversavam, comiam, se divertiam tranquilamente enquanto aquela criançada corria pelo restaurante inteiro. Imaginem que um deles apoiou uma das mãos no encosto da minha cadeira e a outra mão no encosto da outra cadeira da mesa do lado e brincou alegremente de gangorra. Depois de quase cair de cara no chão a criança desceu e berrou bem do meu lado: – Pedrinho, agora vamos brincar de esconde-esconde? Fechei a cara, olhei para os pais na esperança de que eles se tocassem. Pura ilusão.

Afinal, será que sou eu que não tenho bom senso? Ou estaria certo René Descartes quando disse que “O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso de que aquele que têm.”

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