DIA INTERNACIONAL DA MULHER X FEMINISMO …………………………………………………………………………

Olívia PalitoCaros leitores, há pouco, li um texto que me deixou perplexo. Falava sobre o Dia Internacional da Mulher escrito por uma Mulher.

O problema não consistia APENAS no fato do “tipo sexual do ser humano” que estava atrás daquele texto, mas da completa falta de noção de uma mulher provavelmente solteira, carente e frustrada. Frise-se mais uma vez: provavelmente. Todavia tudo leva a crer que se enquadre nesse tipo infelizmente tão comum e já estereotipado de grande parte das mulheres de grandes centros urbanos.

O nome da autora é Mônica, o sobrenome não estava escrito, contudo deixo com vocês o link do blog da autora www.cronicasurbanas.wordpress.com. O título do texto não poderia ser outro ou seja “Dia Internacional da Mulher”. Logo no início do texto ela faz menção a esse dia das mulheres, da caixa de e-mails lotados com correntes, buques de flores virtuais, apresentações em power point falando o quando a esposa, mãe, avó são tão importantes. Mônica ilustra seu texto até com uma foto que recebeu de um buque de gatinhos. Entretanto, no final do primeiro parágrafo ela diz que a tal igualdade entre os sexos está muito aquém do esperado, que todos esses elogios e links para o dia internacional da mulher não reflete a realidade que em sua visão deveria ser.

Citarei agora parte do texto de Mônica para que vocês possam entender e depois farei meus comentários a respeito: De minha parte, posso garantir que recebo os parabéns e as flores e as mensagens com muito apreço, que não sou doida de recusar essas pequenas delicadezas em tempos de tanta gente irritadiça e mal humorada umas com as outras. Mesmo que seja só por falar, que seja só mesmo por vir de alguém sendo levado pelo entusiasmo dos demais, mentiras sinceras me interessam, já dizia o ‘grande filósofo’ Cazuza. E os votos e abraços enviados de coração aquecem a alma, e quem sou eu pra dizer não pra um abraço, não é mesmo?

Mas, para além dos buquês de margaridinhas mimosas, das mensagens no celular, dos arquivos de power point com textos edificantes e fundo musical do Kenny G, existe ainda um universo inesgotável de pendências super práticas e concretas aguardando os voluntários mais desavisados, que acham que é só agradar com um carinho e estamos conversados. Ó, tem varal precisando de uma regulada nas cordas, tem blindex de duas varandas que adorariam uma faxina vigorosa, tem uma luminária de teto que é um inferno pra desmontar e uma lâmpada queimou, precisa trocar, tem uns móveis aqui que eu tou doida pra mudar de lugar, só esperando os braços fortes para o serviço, tem também um carrinho que já viu melhores dias carecendo de um polimento caprichado, apressei outro dia num desses lava-jatos megaplus e fiquei boba com o preço, vai que tem uma alma caridosa que se dispõe a executar a tarefa no melhor espírito 0800, não é mesmo? E notem bem que nem mesmo toquei naquelas atividades mais cotidianas que sempre sobram para as homenageadas do dia – comida pra fazer, banheiros pra lavar, pilha de roupas pra passar, a lista é quilométrica. E eu nem me atrevo a levantar qualquer discussão sobre todas as outras questões que costumam dar pano pra manga e render intermináveis bate-bocas online e off, violência contra a mulher, igualdade de oportunidades (e salários, por favor), preconceitos e outras ‘miudezas’. Não. Estou apenas no plano mais corriqueiro da vidinha de sempre, nada muito complicado. E isso é só por aqui, mas pergunta pra qualquer mulher aí do seu círculo e te garanto que ela vai te apresentar uma lista com a extensão do rio Nilo.

Bom, não sei nem por onde começar, até porque não terei espaço para escrever tudo que gostaria e essa é apenas uma crônica para distrair e fazer pensar um pouco aos domingos.

Enfim, vamos lá. Adorei o texto da Mônica, primeiro porque foi sincero, sem máscaras. Segundo, porque é exatamente tudo isso que ela falou que as mulheres esperam de um homem. Cada vez mais me convenço do paradoxo dessas mulheres ditas “super poderosas” e donas do seu nariz do século XXI. De nada adiantaram os sutiãs queimados na época do feminismo ferrenho do pensamento libertário das décadas de 60 e 70 do século passado. De nada está adiantando a igualdade entre homens e mulheres e a equiparação dos direitos entre nós. Exatamente porque a maioria das mulheres arraigados como que grudados nas suas peles esses conceitos primitivos de que homem tem que trocar a luminária e a mulher cozinhar e lavar a louça.

Se vocês repararem bem, a Mônica, que nada tenho contra, até porque foi o primeiro e único texto que li desse blog, escancara de peitos e braços abertos o pensamento da mulher atual da qual já me referi em minha crônica “O Paradoxo das Mulheres Super Poderosas”, ou até num patamar inferior a esse (inferior não no sentido pejorativo da palavra mas querendo dizer apenas que está em um estágio atrás das mulheres tão orgulhosamente independentes fruto do feminismo). Até a própria autora diz que está apenas no plano mais corriqueiro da vidinha de sempre, nada muito complicado.

Pois é. Como eu estava começando a dizer, no meu entender a Mônica acha que o Dia Internacional da Mulher deveria “se fazer valer”, ou algo do tipo “mãos as obras”. Igual aquela historinha do Dia das Mães em que ela vira e fala para você: “Meu filho, muito obrigada pelo presente, mas dia das mães é todo dia”. A Mônica fez praticamente igual “Querido, dia das mulheres são todos os dias”. Quero que você execute o que eu te mando fazer, que você tenha uma bola de cristal para saber como está o meu humor, que você tenha a iniciativa de fazer as coisas, ou melhor de adivinhar as coisas que eu quero que você faça e ao invés de companheiro, amigo, parceiro, seja meu escravo e serviçal.

Afinal, nada mais justo não é mesmo? Enquanto eu lavo a louça, você lava o carro, enquanto eu cozinho, você troca a lâmpada queimada, enquanto eu passo, você muda os móveis de lugar, ou seja, voltamos a estado de primatas, macacos e gorilas. Eu faço a função que herdei de todas as mulherzinhas (tias, mãe e avós) enquanto você faz sua função de homem de fazer o trabalho braçal e ser o provedor da casa.

Depois quando eu falo que muito embora o movimento feminista tenha tentado e conseguido muitas coisas para as mulheres, elas ainda não estão preparadas para tantas conquistas, não são capazes de administrar tudo que conquistaram e tudo acaba morrendo na palavra PROCRIAR. Tudo para procriar e dar continuidade à espécie. A função mais primitiva e acéfala do homo sapiens. Sabe quem esse tal de homo sapiens? Um carinha aqui que foi colocado no mundo para pensar…

Um ótimo Domingo e um excelente início de semana a todos vocês!!!

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