AO MEU AMIGO ZÉ CORSINI …………………………………………………………………………

José Corsini Filho. Zé Corsini. Para mim ele é apenas o Zé. Meu amigo. Aquele que escolhi para ser meu irmão. O Zé é meu amigo de infância. Nos conhecemos no ano de 1991 no Colégio Notre Dame em São Paulo. Eu tinha 9 anos. Era recém chegado no colégio. Tive muitas dificuldades de adaptação. Vinha de uma escola pequena, com poucos alunos para um Colégio com “C” maiúsculo em termos de tamanho e número de pessoas. Um menino de 9 anos, filho único, muito apegado aos pais, no meio daquela multidão sem conhecer ninguém. Tinha medo de me perder dentro daquele lugar. Recordo-me, que no decorrer do primeiro ano inteiro do novo colégio ligava todos os dias em todos os intervalos para minha mãe chorando. E, foi assim que conheci o Zé. Entrei na sala dele. Acredito que o Zé tenha sido um dos meus primeiros amigos no Notre Dame. O cara que me ajudou nesse processo de transição e integração à minha nova realidade.

Caros leitores, a crônica dessa semana será dedicada ao meu amigo do peito Zé Corsini. Contarei apenas um episódio de uma bela e verdadeira história de amizade que vem se construindo há anos. Se quisesse poderia escrever um livro sobre nossa amizade. Contudo, nesse domingo escreverei apenas aquilo que estou sentido e quero escrever. Tenho certeza que irão entender. Esclareço que não tratarei aqui genericamente sobre a Amizade, muito embora esse seja o tema, mas, enalteço que falarei da MINHA AMIZADE COM O ZÉ. Uma amizade única. Uma exclusividade que até quem é VIP sentiria inveja. Porque nossa amizade não entra na classe das mais ou menos. Uma amizade tão linda, tão pura e ímpar que de tão especial só ousaria escrever quando sentisse que fosse o momento. O Zé sempre brincava comigo dizendo: “Gordo, você nunca escreveu nada em minha homenagem… nunca escreveu nada pra mim…”. E eu respondia: “Zé, pode deixar que um dia escrevo.”

Pois é Zé. O primeiro de muitos momentos de falar de você chegou e aí vai com todo meu carinho minha homenagem para você.

Ahh.. meu amigo Zé. Até seu nome é simples. Porque o Zé é um cara simples. O Zé foi criado assim. Criado de forma simples, com valores simples, mas com todos os valores que um ser humano de bem deveria ter. O Zé sempre foi um cara feliz, de bem com a vida, sorridente, desapegado de maiores bens materiais ou vaidades. O Zé sempre viveu bem. Rodeado de amigos. Uma pessoa íntegra, honesta, amiga, solidária e fraterna a qualquer um, conhecido ou não. O Zé é um dos poucos caras que conheço que faz o bem sem esperar nada em troca.

Como havia dito conheci o Zé aos 9 anos. Hoje tenho 29. Vinte anos se passaram e nossa amizade continua a mesma. A nossa amizade permanece pura e verdadeira como há 20 anos. A única diferença é que o Zé vem acertando na vida desde que o conheci. E eu ao contrário dele, tive que viver 20 anos a mais para notar determinadas coisas na vida. Hoje olho para trás e realmente não sei como ele quis ser meu amigo. Não sei como até hoje me aceitou como eu sou. Até então com valores de vida tão diferentes dos dele.

Tivemos um último mês intenso e tenso. Eu que já não vinha bem de saúde tive uma crise que assustou bastante. O Zé com o pai dele da UTI para um quarto de um hospital de onde não saiu mais. No dia em que tive uma crise assustadora de saúde o Zé saiu da UTI do hospital, do escritório, passou em sua casa rapidamente e veio direto para o meu apartamento me fazer companhia naquela noite. Estabilizada minha crise uns 10 dias depois que saí do hospital onde estava internado o meu tio que também estava doente, fui visitar o pai do Zé que já tinha ido para o quarto. Me lembro que naquele dia em que fui fazer a visita no hospital senti algo estranho. Algo me dizia que eu tinha que ir até lá naquele domingo. Liguei para o Zé, perguntei se ele estaria por lá, se poderia ir e fui. Chegando lá nos abraçamos me aproximei do leito onde o pai do Zé que também se chamava José estava e quis fazer uma oração. Nessa hora tive um momento muito especial. Senti uma paz e alegria muito grande ali. Senti que o pai do Zé espiritualmente estava muito bem. Havia muita tranquilidade e paz. Por alguns momentos “conversei” mentalmente com ele. Comentei que ainda me recordava daquele opala verde que ele adorava e levava a gente pra todo lugar, do consultório de ortodontia no fundo da casa, do quanto ele gostava do palmeiras e principalmente o agradeci por ter me deixado ser amigo do Zé, por ter me deixado ficar próximo do Zé apesar de todos os meus defeitos e o parabenizei por ter feito um trabalho tão bom com o filho. (essa foi a primeira vez que o batimento cardíaco do Tio Zé subiu). Em seguida disse que ele poderia ficar tranquilo que ao menos um amigo de verdade o filho dele sempre teria, pois eu estaria sempre ao lado do Zé, que eu não tinha como prever meu dia de amanhã, que não saberia dizer se estaria rico ou pobre ou até se estaria vivo que somente poderia prometer que daria sempre um jeito de estar lá, ao lado do Zé oferecendo simplesmente a minha amizade e o batimento mudou de novo.

Dia 11/10/11 recebo a ligação do Zé por volta das 15:28 no meu celular dizendo: – Gordo, meu pai descansou. De noite lá pelas 21 e qualquer coisa ligo para o Zé e ele ainda está no Hospital para liberação do corpo. Corro pra lá. Queria estar por perto para ajudar em qualquer coisa caso ele precisasse. Nos abraçamos no necrotério. O Zé me disse que queria acompanhar tudo. Que queria vestir o pai e deixa-lo arrumadinho. Que ele queria participar. O necrotério, nem a presença do pai do Zé já falecido me incomodavam. Digo isso apenas, para iniciar minha resposta a uma pergunta que o Zé me fez a noite inteira e eu disse que não era nada. O Zé me perguntava incessantemente: Gordo, você tá bem? Porque você tá tão quieto? Porque não fala nada?

Bom Zé. A resposta é uma só. Não falei nada para não chorar. Porque nem se quisesse falar alguma coisa conseguiria. Até porque estava lá para te ajudar e não para te atrapalhar. Você estava muito melhor do que eu. Afinal, teoricamente eu estaria lá para te consolar e não o inverso, certo?

Zé, minha vontade de chorar não era pelo fato de seu pai ter morrido. Até porque ele estava muito em paz. Teve uma transição da vida material para espiritual muito tranquila e você também estava muito bem. A verdade é que estava tocado diante de tanto amor e sentimentos verdadeiros tão próximos de mim. Ao mesmo tempo em que via seu pai já com os nervos enrijecidos em cima daquela mesa de granito, olhava o amor com que você arrumava os cabelos dele passando gel com aquelas luvas. Me senti imediatamente envergonhado pela pessoa que sou. Depois você disse para mim: – quero enterra-lo assim com uma roupa bem simples e confortável, uma camiseta de mangas compridas nova de malha verde que lembra o palmeiras. Não me sentia digno de estar ao seu lado participando daquele momento. Por isso te ajudei calado. Para não chorar.

Depois Zé, no velório, naquela madrugada, ao reencontrar sua mãe após anos, quando ela veio direto em minha direção, sentou-se ao meu lado pegou em minhas mãos olhou bem nos meus olhos e disse: – Oi Mathias quanto tempo… Precisa aparecer mais lá em casa… Naquele momento, Zé, ela me trouxe recordações tão boas, tão sinceras, ela me passou tanta paz, tanta bondade, que há anos não sentia. Por isso mais uma vez estava quieto Zé, para não chorar. Porque ao mesmo tempo em que me sentia honrado em segurar uma das alças do caixão do seu pai, não sabia se devia, se poderia, porque estou tão aquém do ser humano que você é Zé, que dessa vez eu realmente me senti um verdadeiro cara de pau. E, naquele trajeto do carrinho até o túmulo naquele meio dia de sol, naquele pequeno trajeto olhei para o céu e agradeci por saber que você me considera seu amigo me aceitando com todos os meus defeitos.

Zé, como consta na popular musica de Roberto e Erasmo:

“Amigo você é o mais certo das horas incertas” (é bom saber que posso sempre contar com você)

“Sorriso e abraço festivo da minha chegada” (obrigado por me receber com um sorriso mesmo nas horas mais difíceis)

“Você que me diz as verdades com frases abertas” (sou grato pelas suas palavras sem rodeios)

Zé, finalizo deixando um poema do meu preferido – Vinicius de Moraes

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ‘ Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !’ Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque… Ser seu amigo já é um pedaço dele !”

Um ótimo domingo e um excelente início de semana a todos vocês!!!

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